15 de março de 2011

Estado civil: juntado


       Com meu tempo aqui na França e conhecendo um pouco dos meus colegas de sala, pude constatar um fato interessante e que considero pouco comum entre meus amigos do Brasil. Falando de relacionamentos, a verdade é que aqui a maioria não só namora, mas mora junto. Não pense que a pessoa namorou três anos e resolveu morar junto porque tem planos de casar, não é isso. Tenho amigas que já moraram com quatro namorados, quase todos que tiveram na vida. O tempo de namoro também não importa. Uma das minhas colegas começou a namorar e dois meses depois já estava devidamente instalada na residência de seu amado. Outro caso é de um rapaz, que após anos de namoro, resolveu também morar junto, mas sem nenhuma intenção de oficializar a relação (será que a namorada dele sabe disso? Hehehe), apenas por uma questão de praticidade.

Para mim, essa coisa de morar junto é meio incomum entre meus amigos do Brasil. A maioria namora, mas só vai morar junto depois de casar de verdade, com cartório, igreja, e festa. Conversando com uma amiga, expliquei para ela como as coisas funcionavam pelo Brasil e ela me deu uma explicação simples do por que de eles fazerem isso aqui. Segundo sua opinião (e experiência), as pessoas aqui optam por “se juntar” para ver, através da convivência, se aquela pessoa é mesmo ideal para você. Ok, tem um ponto válido nesse argumento, mas não seria uma exposição precoce, sem necessidade, e muito grande à intimidade do outro?



Acho que por questões econômicas isso também não acontece com tanta frequência no Brasil. Qual o ponto de montar uma nova casa, pagar contas e acumular despesas se você pode morar na casa dos seus pais até ter certeza de que quer casar e aí sim montar seu próprio lar? Custa dinheiro pagar aluguel e tantas coisas, mesmo dividindo por dois, não é mesmo? Aqui, os pais dessas minhas amigas que desde os 18, 20 anos já moram com seus namorados, apoiam a decisão por acreditarem que as filhas irão adquirir mais maturidade e responsabilidade ao cuidar da sua própria casa. Mais um ponto válido e compreensível. Entretanto, tenho uma cabeça mais tradicional (e careta) e por isso ainda acredito que toda a magia e a curiosidade de uma nova vida a dois que começa após um casamento vai por água abaixo ao antecipar uma etapa que pode ser vivida depois de certo tempo com a pessoa. Acredito sim que conhecemos uma pessoa a fundo apenas depois de muita convivência, mas isso pode ser visto de outras formas, não? Viajando, passando fins de semana juntos, e convivendo com as famílias a gente vê muito as atitudes de cada um.

Enfim, quis dividir isso com vocês pois achei uma curiosidade interessante!! Sei que muitas pessoas também moram juntas sem serem casadas aí no Brasil, apenas achei que, ao contrário dos meus amigos brasileiros, meus colegas franceses são “juntados” em sua grande maioria.

E vocês, o que acham disso? Mudariam seus estados civis de namorados para juntados?

11 de março de 2011

Michael Jackson Não Morreu!!

       Carnaval acabou, o ano começou! Pelo menos no Brasil é assim, né? Bom, estou enfim retomando as atividades do blog após um tempinho ausente! Apesar de eu estar entrando na minha reta final aqui, vou tentar passar para atualizar sempre que possível! Nem acredito que só terei mais três semanas em Nice!

      Quero apresentar para vocês uma figuraça aqui da cidade! Se você achava que o Michael Jackson tinha morrido, engano seu! Confiram as fotos e o vídeo! Ele se apresenta quase que diariamente na praça mais famosa de Nice, a Place Massena. O Michael Jackson de Nice coloca seu som alto e dança loucamente com suas roupas surradas, mas sem vergonha e cheio de animação! Sempre que passo por lá dou uma paradinha para olhar, pois acho super engraçado (ok, meio tosco também)! Sua platéia é bem grande até, e o mais legal é que vira e mexe tem alguma criancinha pequena que resolve imitá-lo e acaba virando a sensação do lugar! É um espetáculo aparte ver coisinhas fofas e minis tentando fazer o moon walk.

Michael Jackson de Nice


Famoso na cidade! hehe


     Nada como um vídeo para vocês terem uma noção mais precisa!! A qualidade não é das melhores fora que eu tremi muito, mas o que vale é a intenção! Eu tenho uma conta no qik (site de compartilhamento de vídeos) e tem vídeos não só de Nice, mas de algumas viagens e coisas nada a ver! Fiquem à vontade para assisti-los!



       Desejo a todos um bom final de semana!

       Bisous!!

18 de fevereiro de 2011

Quanta polidez!

   No geral, o povo francês é um povo bastante educado. Qualquer comunicação começa com um “bonjour” (bom dia), que é indispensável seja para iniciar uma conversa ou ao cruzar com um vizinho/conhecido pela rua. O “bonjour” é o nosso “oi” de forma mais formal, já que o oi aqui (“salut”) só deve ser usados e situações informais ou com pessoas com as quais você possua intimidade. Meu pai, ao passar uma temporada aqui em Nice comigo, percebeu que até os mendigos na rua falam “bonjour” antes mesmo de pedir esmola! Kkkkkkkkkk

    No comércio, existe o que chamo de diálogo da polidez. Ele é mais ou menos assim:
- Bonjour (atendente do caixa: bom dia)
- Bonjour (você: bom dia, entregando a mercadoria que você quer comprar)
- Ça fait 20 euros, s’il vous plait (caixa : são 20 euros, por favor)
Você entrega o dinheiro, ela entrega o troco, nota fiscal, mercadoria, etc.
- Merci beaucoup, madame (caixa: obrigada, senhora)
- Merci à vous (você: obrigada a você)
- De rien (caixa: de nada)
- Au revoir (você: até logo)
- Au revoir, bonne journée (caixa; até logo, tenha um bom dia)
- Merci, pour vous aussi. (você: obrigada, para você também)

    UFA!! Agora você já pode sair da loja! Já no Brasil não é bem assim, né? O “por favor” e “obrigado(a)” são constantemente esquecidos, infelizmente!



       Nos restaurantes também existe certa polidez no diálogo, mas no serviço já nem tanto. Muitas vezes jogam as coisas na mesa, demoram a te atender e, pior, ficam bravos se você não come tudo. Eles consideram um insulto, e é muito comum virem perguntar se a comida não estava boa ou se faltou alguma coisa. Mas às vezes você só não conseguiu comer a quantidade toda, normal! Ao menos aqui não tem 10% e nem somos obrigados a dar gorjeta! Pagamos exatamente o que consumimos, nem mais nem menos!

     Sei que o parisiense tem fama de estúpido, mal humorado e sem paciência. Aqui na França você pode até não saber falar francês, mas principalmente em Paris, é recomendável ao menos abordar as pessoas em francês, dizendo um “bounjour” e depois emendando um “je ne parle pas français” (eu não falo francês) ou “I don’t speak french”. Assim eles vão ver que ao menos você tentou e vão te ajudar com mais boa vontade. Se você esbarrar em alguém, tem que pedir desculpas "pardon" e mesmo que esbarrem em você, aqui você também diz "pardon" para a pessoa! É como se os dois tivessem culpa e devessem se desculpar.

    As pessoas aqui podem ser gentis ao segurar uma porta para você passar, ceder lugar aos velhinhos no ônibus ou ter todo esse diálogo que descrevi acima. Mas, na verdade, a sociedade aqui é individualista e pouco solícita no que diz respeito ao que chamo de relações intermediárias (relações que não são nem íntimas ou familiares e nem de “somos apenas conhecidos"). Já perdi as contas de quantas vezes comentei com um amigo que estava tendo dificuldade com alguma coisa (normalmente algum processo burocrático francês) e nenhuma vez eles se ofereceram para ajudar. Falam tipo “é assim mesmo” e te olham com uma cara de “só lamento por você, mas tenho mais o que fazer”. Isso é só um exemplo e sei que não posso generalizar por conta de uma experiência pessoal, mas a solidariedade presente no povo brasileiro é algo quase impossível de achar aqui pelo velho mundo.

    Brèsil, tu me manques! Brasil, você me faz falta!

7 de fevereiro de 2011

Os 4 C's da França

  Inspirada pelas minhas aulas de marketing, resolvi fazer um post relacionado ao tema. O conceito do mix de marketing, ou dos 4 P's (Produto, Preço, Praça e Promoção), é bastante conhecido e básico, mas hoje falamos também dos 4 C's. Pesquisando sobre os C's do marketing, vi que eles podem chegar a 6, portanto, essa ideia varia muito de autor para autor. Podemos, entretanto, ver que os C's mais comuns são: 
1. Consumidor (as necessidades e os desejos destes);
2. Custo (para satisfazer o consumidor);
3. Conveniência (para comprar); e
4. Comunicação.

   Identifiquei no cotidiano francês 4 C's que dizem muito sobre essa cultura tão particular. Eis então que vos apresento "Os 4 C's da França"!

1. Croissant: O famoso pão em formato de lua é uma paixão nacional. Por, em média, 70 centavos de euro, ele pode ser encontrado em qualquer boulangerie (espécie de padaria). Aqui, ele normalmente é consumido puro e não tem recheio. Para nós é meio estranho, pois estamos acostumados a ver croissants recheados de queijo e presunto e de outras coisas mais. Entretanto, após me habituar a comer como os franceses, pude ver que realmente é uma delícia comê-lo puro, saboreando o gosto meio amenteigado e a textura única dessa maravilha. A baguete é também famosa, e vou incluí-la aqui para demonstrar que os franceses sabem como fazer pães. Sejam brioches, baguetes, croissants, ou pães de chocolate, todos são deliciosos e irresistíveis. Não é à toa que as boulangeries aqui são verdadeiras escolas, onde pessoas do mundo inteiro vem para fazer estágios e aprender como panificar essas gostosuras. Ah, detalhe que na Itália croissant se chama corneto!! hahaha achei o máximo, igual ao sorvete aí do Brasil!

Croissants


2. Camembert: Uso o camembert para exemplificar a parte de queijos. Todo francês que se preze não deixa faltar na sua mesa uma baguete, um vinho, e um queijo. O camembert é um queijo francês bastante consumido aqui e também pode ser achado por preço de banana. Eu, pessoalmente, não sou muito fã, acho meio molengo. Além do camembert, outros queijos franceses famosos são o roquefort, brie, e de chèvre, que é de leite de cabra. Esse último eu sou fã!

Camembert


3. Cachorro: Cachorro aqui é gente. Simples assim. Não estranhe se em uma viagem à França você encontrar cachorros em supermercados, restaurantes, bancos, etc. Aqui eles são bem vindos em qualquer lugar público, quase que sem restrições. As madames velhinhas adoram andar com eles a tiracolo. O engraçado é que, ao menos aqui em Nice, quase não existem pet shops! Uma amiga me falou que uma ida básica da sua cadela ao veterinário custa em média 90 euros. Isso é bem mais que um corte de cabelo num salão chique daqui! Outra curiosidade é que tem uma loja perto da minha casa onde os filhotes de cachorro ficam na vitrine para serem vendidos! Dá até peninha, sério! Mas acho que ninguém vê maldade nisso, não... Enfim, nos meus muitos meses vivendo aqui, posso dizer que a maioria das pessoas tratam seus cães melhor do que seus amigos ou familiares (se bem que eles são parte da família, né?).

Cachorrinhos na vitrine


4. Cigarro: Coisa nojenta! Mesmo sendo proibido fumar em locais fechados, basta uma andadinha na rua para voltar para casa fedendo a cigarro. O número de fumantes é alto, e vai de jovens à idosos. Já vi pessoas que estavam fumando e, ao resolver entrar numa loja, deixaram o cigarro aceso do lado de fora, tipo numa beirinha qualquer, para ele não apagar e a pessoa continuar fumando ao sair da loja. Para mim isso é um absurdo, inacreditável. Outra coisa: é comum demais você estar andando na rua e alguém te pedir um cigarro. Pedem mesmo, na cara dura, mas normalmente são pessoas estranhas que fazem isso! kkkkkkkk

Cigarro na beirada


    Espero que tenham gostado e desejo a todos uma ótimo semana! =)

17 de janeiro de 2011

Carrinhos

    Aqui estou de volta à rotina após maravilhosas férias para o primeiro post de 2011!!

    A curiosidade de hoje pode não ser novidade para alguns de vocês, mas definitivamente foi algo que me chamou atenção quando cheguei aqui em Nice.

   Chegando no aeroporto após muitas horas de viagem, estava ansiosa para pegar logo minha mala e explorar Nice. Do alto, lembro-me como se fosse hoje como eu fiquei maravilhada ao ver o mar de diferentes tons de azul e um sol que nem parecia digno de inverno. Era fevereiro de 2009, estava chegando para fazer meu curso de francês sem imaginar que três meses virariam cinco, que virariam anos. Daí por diante vocês sabem o que aconteceu e onde vim parar...

   Voltando a curiosidade! Cheguei e estava indo pegar minha mala quando pensei em pegar um carrinho, coisa óbvia que todos fazemos nessa etapa de esperar as bagagens. Fiquei tentando tirar o carrinho da fila em que ele estava encaixado e nada do bicho sair. Fiquei que nem uma ignorante tentando tirá-lo a qualquer custo, usando minha força, meu jeito, mas nada deu certo. Eis que um cidadão gentilmente aponta seu dedo para uma parte no carrinho que "dizia" que eu deveria inserir uma moeda e 1 Euro para poder utilizá-lo. Fiquei sem graça, dei um sorriso amarelo e sai sem pegar o carrinho, pois eu não tinha nenhuma moeda e também achei um absurdo ter que pagar para usar um carrinho!

Aí a moeda é inserida

     Meu pré-conceito me cegou para o real propósito do 1 Euro e só algum tempo depois, ao ver que nos supermercados também era necessária a tal moedinha para usar os carrinhos, é que fui entender tudo. Passo 1: você insere a moeda, a corrente se solta e libera o carrinho. Passo 2: você usa o carrinho, transporta suas bagagens. Passo 3: você devolve o carrinho e, consequentemente, sua moeda é liberada quando você encaixa a corrente de volta num outro carrinho que estará numa "estação de carrinhos". Ahá!!! Você não paga para usar!!! O 1 Euro simplesmente te força a ser educado e devolver o carrinho no lugar certo, ao invés de deixá-lo largado pelo aeroporto ou pelo estacionamento (o que sabemos bem que atrapalha bastante). Ou seja, é uma medida puramente organizacional e educacional!

Estação de carrinhos.
Detalhe que tem uma placa explicando
como funciona...
(coisa que não vi na minha chegada...)

     Será que nós brasileiros nos acostumaríamos com isso? E mais, esse mecanismo funcionaria ou as pessoas não aceitariam? Acho que a implementação da ideia poderia, inicialmente, ocasionar uma certa dúvida ou confusão, mas acho que faria com que nós nos tornássemos um pouco mais educados.

22 de dezembro de 2010

Então é Natal



     Ano passado lembro que fiz um post sobre o natal. Falei sobre um mercadinho de natal que rola aqui (e em quase todas as cidades europeias) e sobre como achei engraçado algodão doce chamar “barba de papai noel”.

     Como simplesmente amo essa época do ano, resolvi escrever de novo sobre tal, mas agora gostaria de contar um pouco sobre como os franceses (ao menos os daqui da capital da Côte d’Azur) comemoram o natal.

     O prato típico varia. O peru pode ser encontrado nas ceias de natal sim, mas os frutos do mar e o foie gras (fígado de ganso ou pato) são mais tradicionais. Ainda não experimentei o foie gras, mas dizem que é divino. O pate de fígado de pato posso dizer que é ótimo mesmo! Assim como nós, os franceses fazem a ceia e a troca de presentes no dia 24 à noite e também passam em família o dia 25 de dezembro.

     De sobremesa, nada de rabanadas nem panetone (delícia de origem italiana, para quem não sabe). Aqui eles compram um bolo que chama “Bûche Nöel”. Bûche Nöel significa literalmente “tronco de árvore”, e esse costume tem sua origem nas lareiras de antigamente, onde as pessoas queimavam os troncos de madeira para se aquecerem com o fogo. Hoje ainda se faz isso, já que o inverno no hemisfério norte faz bom uso do calor do fogo de uma lareira. Pela foto, vocês podem ver que parece um rocambole hehehe. Ainda não experimentei também, depois conto se é bom caso eu prove. O bolo é normalmente branco e o recheio pode ser de geleia de morango ou o que quer que a pessoa goste! A cobertura costuma ser de chocolate para remeter à cor marrom das toras das árvores. Para quem se interessar, achei nesse site um pouco mais sobre a história e também uma receita do Bûche Nöel

 (http://conversasdecozinha.blogspot.com/2007/12/tora-de-natal-bche-de-nel.html)




Bûche Nöel 


     Amigo oculto? Não, ninguém faz pelo que entendi. Taí uma coisa que eu adoro e que sinto falta de fazer. Acho que, na verdade, o amigo secreto é uma opção boa (e econômica) para nós. Todos ganham presentes e você só compra um para presentear quem você tirou, ao invés de comprar vários para todos. Perguntei aos amigos e aqui ninguém faz, nem em família nem entre amigos.

    Outra coisa interessante são as árvores de natal. As lojas todas colocam um sapin (árvore de natal) nas portas e as ruas ficam lindas! Vou ficar devendo uma foto, pardon! De qualquer forma, vejam que linda que está a praça principal aqui de Nice, toda enfeitada para o Natal.


Fonte da Place Massena

Place Massena - Nice

     Os planos para o natal são simples. Fui convidada por uma amiga mexicana para um brunch natalino na casa dela, no dia 24. Eu e meu dad vamos lá e levaremos deliciosas rabanadas para os convidados experimentarem. De noite, eu e meu pai faremos a ceia aqui em casa mesmo e, provavelmente, vamos à missa de meia-noite na igreja Notre Dame de Nice (que também está linda, olhem só). E é isso!


Igreja Notre Dame de Nice


    Aproveito para desejar um natal cheio de luz, paz, alegria e harmonia para meus queridos leitores e amigos. Não sei se passarei por aqui antes do ano novo, portanto, já adianto meus votos para um 2011 repleto de novas conquistas e muita saúde!

Beijos com carinho,
Dani.

6 de dezembro de 2010

Uma partida de futebol

         Essa história é uma das minhas clássicas, tenho certeza que já contei para alguns de vocês, queridos amigos! De qualquer forma, tenho que registrar aqui no blog também para aqueles que ainda não a conhecem! Fora que depois da vitória de ontem do meu time Fluminense, me inspirei ainda mais! Hehehe!

          Por volta do final de março de 2009, começo da minha estadia aqui, Hector e Fellipe (meus amigos brasileiros) tiveram a grande idéia de assistir um jogo de futebol. O time local chama Nice e estaria jogando contra o Caen, time da cidade francesa de mesmo nome. Resolvi acompanhá-los e lá fomos nós num sábado à tarde qualquer.

          O estádio não estava muito cheio, ficamos numa arquibancada e como ainda faltava um tempinho para começar o jogo, fomos comprar uma cerveja. Primeira facada do dia: 5 euros num copo de 500mL. Pior, a cerveja era muuuito ruim. Ok, vamos ver o jogo, esquece a cerveja. O jogo em si foi uma porcaria, difícil falar qual time era pior. A torcida era desanimada, no máximo batiam palmas em algum lance bonito e só a torcida organizada, que ficava atrás do gol, que fazia um barulho de vez em quando.


Fellipe, Eu e Hector no estádio do Nice.


          Além do jogo ter sido péssimo, estava muito, mas muito frio. Esse foi com certeza um dos dias que mais passei frio na minha vida. Acho que o vento na arquibancada nos pegou de jeito, e no intervalo entre os tempos, resolvemos comprar um café. Eu como não tomo café, resolvi comprar outra coisa. Meus olhos brilharam quando viram um copo de pipoca e não pensei duas vezes, fui e comprei. Segunda facada do dia: 6 euros no copo de popcorn. Para piorar, a moça do caixa me deu um saquinho de açúcar ao invés de um de sal, coisa que só fui perceber após virar o saquinho inteiro na pipoca e ela ficar doce. Ecati!! E pior, ela estava muito murcha!! 

Voltamos para o segundo tempo do jogo e não aguentamos de tanto frio e resolvemos ir embora antes mesmo de terminar a partida. Foi quando o Nice fez o gol de honra que não vimos... Para ser sincera, não me lembro do placar, mas acho que foi tipo Nice 1 x 2 Caem.

Para finalizar a noite, fomos lanchar no Quik, um fast food estilo McDonald’s. Ao comprar o ingresso, ganhávamos um desconto lá e por isso queríamos usá-lo, claro! Como ainda não sabíamos ler muito bem em francês, chegamos no caixa, cada um deu seu ingresso e pediu seu lanche. A caixa nos olhou com uma cara estranha, ainda mais quando o Fellipe pediu sobremesa. Ignoramos seus olhares e fomos entender o motivo deles logo em seguida. A promoção não era em desconto, mas sim dava em dobro tudo que você tinha pedido. Ou seja, ficamos cada um com dois sanduíches e duas batatas, só o refri que não veio duplicado (ainda bem!). Três pessoas, seis sanduíches mais refri e sobremesa. Os meninos conseguiram comer dois cada, se não me engano o Hector ainda tentou empurrar o terceiro, mas saímos de lá rolando de tanta comida! Depois disso, deu para entender o olhar da caixa dizendo, “seus gulosos!”.

Cerveja = fail, pipoca = fail, jogo = fail, frio = fail. O lanche foi exagerado, mas estava bom. Resumindo, o dia foi cheio de furos e situações engraçadas, mas valeu a pena! E, modéstia parte, nada como uma partida de futebol do Brasil! Além da qualidade muito superior dos jogos, a animação da nossa torcida não tem igual!

12 de novembro de 2010

Um filme à toa no Pathé...

Essa frase da música “Tão Seu” do Skank sempre me causou dúvida. Primeiro, porque eu sempre achei que a frase era, “um filme à toa e um patê”. Bizarro, eu sei... Perguntei-me várias vezes por que a letra era assim e fiquei muito tempo sem entender e sem saber a letra correta. Na minha cabeça vinha a imagem de um casal sentado num sofá, vendo um filme e, ao invés de um balde de pipoca, um potinho daqueles de patê da Sadia na mão! Hahahaha eu e minha imaginação... Não sei se para vocês sempre foi meio óbvia essa história do pathé, mas para mim não!


Eis que andando por Nice, ainda nos meus primeiros dias aqui, percebo um local com uma placa escrito “Pathé”. Chego perto e vejo vários cartazes de filmes, lojinha de pipoca, bilheteria... A luz dentro do meu cérebro acendeu e liguei os pontos!! Finalmente a música estava clara!! Basicamente, ele queria dizer, “um filme à toa num cinema”! kkkkk Demorou mas entendi!

O cinema aqui tem algumas particularidades. Primeiro, confira se o filme que você quer assistir é em VO (versão original) ou dublado. Aqui eles dublam todos os filmes e só alguns cinemas passam filmes em versão original, o que significa inglês (ou seja lá qual for a língua original do filme) com legendas em francês.

O segundo passo é ver o horário do filme. Aqui eles te dão dois horários: um para quem gosta de trailers, como eu, e o outro para quem não gosta. Normalmente a diferença é de 10 minutos e, quando os trailers acabam, eles desligam a tela e acendem as luzes da sala. Achei estranho quando aconteceu isso da primeira vez, mas agora já acostumei. Dessa forma, as outras pessoas que não quiseram assistir aos trailers podem entrar numa boa, escolher um lugar para sentar e depois todos nós esperamos o filme começar!

Por último, não se espante com o tamanho das salas. Aqui não tem nada tipo Cinemark ou Imax. Os cinemas são no estilo dos da Academia de Tênis aí de Brasília, quando não são menores!! Eles ficam nas ruas, não em centros comerciais ou shoppings, e parecem pequenos quando vistos de fora, mas são verdadeiros labirintos quando você entra!

Cinema aqui também é programa de domingo, e o melhor é que os verdadeiros fãs da sétima arte podem fazer planos mensais ou anuais que dão direito a idas ilimitadas ao cinema! Bom né?! Só não faço um desses porque sei que aí não estudo, iria querer assistir filmes todos os dias!

Pathé Nice Massena :)

4 de novembro de 2010

Lumière

    Não sei se vocês se lembram do personagem Lumière, um castiçal, no filme “A Bela e a Fera”. Para quem não sabe, “lumière” significa luz em francês. Mas tá, Isso foi apenas uma petite curiosidade para abrir o post de hoje! Hehehe



    Meu dia começou às 6:15 da manhã, após uma noite super mal dormida por conta da ansiedade em relação à prova de hoje. Aula chata de manhã, almoço ao sol com as meninas e chegou a hora da prova. Estudei muito e me sentia relativamente preparada (nunca me sinto 100% preparada!), mas eis que a prova foi dificílima e, após duas horas quebrando a cabeça, tudo que eu queria era ir para casa descansar. Ainda tive que encarar mais 3 horas de aula e somente às 18 horas a merecida liberdade foi nos concedida.

    Ao descer do tram e chegando à minha rua, percebo que está tudo meio escuro, mas pensei, “derrr, é porque está escurecendo e os postes ainda não devem estar ligados”. Continuo andando e vejo pessoas fora dos prédios, um movimento meio esquisito. Logo percebi que estava faltando luz no quarteirão inteiro, não só na minha rua. Maravilha.

    Subi seis andares de escada e abri a porta de casa dando graças a Deus por ter vela e fósforos à mão. Cuidei de iluminar o ambiente e pensei, “e agora, o que vou fazer?”. Os planos antes do imprevisto eram tomar banho, comer, assistir um episódio de algum seriado para dar uma relaxada e estudar para a prova de amanhã antes de dormir. Dei jeito nos primeiros itens do plano, lanchei literalmente “à luz de velas” e tomei um banho. Depois pensei, “preciso colocar que estou sem luz no meu status do Facebook”. Hahahaha não reparem o vício! Mas, de novo, peeeeennnnn, sem luz não há roteador ligado e, portando, o wi-fi não funciona. Nada de internet já que, além disso, meu cel está com somente 3% de bateria e achei melhor economizar caso precise para uma emergência. Diante das circunstâncias, ainda me restava meu notebook!! Ao menos duas horas de bateria eu sabia que ele tinha, então já dava para estudar para a prova, escrever posts para o blog e até jogar paciência! Kkkkkk

    Mas o que realmente queria escrever aqui (depois de contar tudo isso hehe) é que acho muito engraçado pensar que a humanidade viveu (e sobreviveu!) tantos anos, séculos, sem energia elétrica. E nós, habitantes de um mundo que hoje é “ligado na tomada”, parecemos não conseguir ficar sem luz nem sequer por uma hora. Parece que não nos resta o que fazer!! Mas, na minha opinião, deveríamos encarar situações inusitadas como essa como uma oportunidade, um privilégio!! Qual foi a última vez que você fez nada? Que simplesmente deitou na cama e olhou para o teto? Que dormiu mais cedo que o de costume? De vez em quando é bom, faça o teste!!


   Olhei pela janela e vi algumas poucas casas com velas acesas. Em uma, uma moça, como eu, comeu sozinha à luz de velas. Em outra, a pessoa parecia tentar se orientar com a luz do celular. No meio de tudo isso, lembrei-me de algumas situações que já passei sem luz. A última foi há uns dois anos, eu estava saindo da aula de francês, bati o carro da moms e, quando cheguei em casa, estávamos sem luz. Pude chorar no escuro a tristeza de ter batido o carro e ganhei um colo gostoso antes de dormir. Bem antes disso, quando eu era criança, estava passando férias na casa da minha vó no Rio e, após uma chuva de verão daquelas, ficamos sem luz em casa. Fazia muito calor e lembro como se fosse hoje do meu pai me abanando com uma revista para me refrescar e assim fazer com que eu dormisse.

    Enfim, com ou sem energia elétrica, no Brasil ou na França, às vezes devemos nos desligar um pouco, ficar “sem luz”, para sentirmos um pouco de paz. Assim, podemos curtir o silêncio e a escuridão em um mundo que hoje tem luz e barulho até demais.

A janela iluminada é a da vizinha que também jantou à luz de velas...


PS: Enquanto eu estava no banho, a Madame (forma que uso para me referir à senhora que aluga o estúdio para mim) ligou e deixou um recado na minha secretária eletrônica dizendo que deu uma pane geral nas redondezas e que não tinham previsão de quando a luz voltaria. Ela falou também, “já que você não vai ter como cozinhar, te proponho que venha para minha casa comer conosco”. Para quem não sabe, ela é minha vizinha de baixo e achei super fofo da parte dela me avisar e se preocupar comigo! Será que a solidariedade entre vizinhos existiria aí no Brasil numa situação dessas?

PS2: A luz voltou depois de 3 horas...

1 de novembro de 2010

Nutella

Nutella aqui na França é coisa séria. Para os franceses, a deliciosa pasta de chocolate com amêndoas é tão essencial quanto o requeijão ou a manteiga é para nós brasileiros. Tudo bem que no Brasil esse produto não é novidade e nós também somos fãs, mas aqui se come praticamente tudo com Nutella.

Uma das maravilhas mais famosas que leva Nutella é o crepe. A primeira vez que comi um crepe de Nutella aqui em Nice foi a maior decepção, achei pouco recheado e senti saudades do farto crepe do Chez Michou de Brasília. Depois descobri que os melhores lugares para comer o verdadeiro crepe de Nutella não são nos restaurantes, mas sim nas “birosquinhas” que podem ser achadas em cada esquina na maioria das cidades francesas. Aqui em Nice já tenho meu local preferido e como ele é garantia de satisfação, desde seu achado não ousei experimentar outro lugar.

Na minha última ida à Paris com minha amiga Lara, fiz a maior propaganda do crepe, não parava de falar nele um segundo. Como eu já tinha experimentado um muito bom perto da Torre Eiffel, decidimos que no dia desse passeio iríamos enfim saboreá-lo. Na volta de Versailles, resolvemos aproveitar o fim da tarde (até então apenas um pouco nublado, levemente ensolarado) para subir na torre e ver do alto o por do sol da Cidade Luz. Subimos, tudo lindo, até a gente descer e começar o maior pé d’água. Ficamos ilhadas debaixo da torre, tremendo, sem guarda-chuva (que inflacionou de 2 euros para 12 nessa hora), esperando a bendita passar. Depois de uns 15, 20 minutos, ela passou e atravessamos até o Trocadero, de onde são tiradas as melhores fotos da Torre. Tiramos mil fotos, ela ficou iluminada, piscou, enfim, aquela maravilha.

Depois da pequena aventura, finalmente HORA DO CREPE DE NUTELLA!!!  Tinham ao menos umas três birosquinhas onde estávamos e sem ao menos dar uma olhada geral, optamos pela primeira. Pedi dois crepes “au chocolat”, o que já está subentendido que é de Nutella. Ao analisar melhor a barraquinha, percebo que os potes não são de Nutella, mas sim de alguma pasta de chocolate genérica. Ah, não!!! Virei para a Lara e falei, em português, claro, “putz, não acredito que a gente veio justo numa barraquinha onde o crepe é de Nutella falsificada!”. Ficamos rindo e esperando o crepe ficar pronto, isso eu esculhambando, falando que era um absurdo vender coisa daquela qualidade, que o cara devia ao menos ser esperto e colocar os potes de Nutella de verdade na “vitrine”, mesmo que dentro ele usasse uma Nutella falsificada. Continuei falando besteira, rimos até e o crepe ficou pronto. Dou o dinheiro para o cara e eis que ele me responde, em português, “Aqui seu troco”. Nessa hora, olho para a Lara e quase morroooo de vergonha! Pensa, ele estava entendendo tudo que falávamos! Kkkkkkkkk

Bom, espero que com isso ele aprenda a vender um legítimo crepe de Nutella, ora bolas! Afinal, logo ao lado, outra lojinha vendia o crepe de Nutella de verdade por 3 euros, e nós ainda pagamos 3,50! Ô raiva! O crepe não estava lá essas coisas, mas no frio e na fome, valeu a pena! Depois levei a Lara no meu local aqui de Nice e aí sim ela pode provar o verdadeiro e delicioso Crepe de Nutella!




Vista do alto da Torre Eiffel.

A Torre, o Crepe, e Eu =)