12 de novembro de 2010

Um filme à toa no Pathé...

Essa frase da música “Tão Seu” do Skank sempre me causou dúvida. Primeiro, porque eu sempre achei que a frase era, “um filme à toa e um patê”. Bizarro, eu sei... Perguntei-me várias vezes por que a letra era assim e fiquei muito tempo sem entender e sem saber a letra correta. Na minha cabeça vinha a imagem de um casal sentado num sofá, vendo um filme e, ao invés de um balde de pipoca, um potinho daqueles de patê da Sadia na mão! Hahahaha eu e minha imaginação... Não sei se para vocês sempre foi meio óbvia essa história do pathé, mas para mim não!


Eis que andando por Nice, ainda nos meus primeiros dias aqui, percebo um local com uma placa escrito “Pathé”. Chego perto e vejo vários cartazes de filmes, lojinha de pipoca, bilheteria... A luz dentro do meu cérebro acendeu e liguei os pontos!! Finalmente a música estava clara!! Basicamente, ele queria dizer, “um filme à toa num cinema”! kkkkk Demorou mas entendi!

O cinema aqui tem algumas particularidades. Primeiro, confira se o filme que você quer assistir é em VO (versão original) ou dublado. Aqui eles dublam todos os filmes e só alguns cinemas passam filmes em versão original, o que significa inglês (ou seja lá qual for a língua original do filme) com legendas em francês.

O segundo passo é ver o horário do filme. Aqui eles te dão dois horários: um para quem gosta de trailers, como eu, e o outro para quem não gosta. Normalmente a diferença é de 10 minutos e, quando os trailers acabam, eles desligam a tela e acendem as luzes da sala. Achei estranho quando aconteceu isso da primeira vez, mas agora já acostumei. Dessa forma, as outras pessoas que não quiseram assistir aos trailers podem entrar numa boa, escolher um lugar para sentar e depois todos nós esperamos o filme começar!

Por último, não se espante com o tamanho das salas. Aqui não tem nada tipo Cinemark ou Imax. Os cinemas são no estilo dos da Academia de Tênis aí de Brasília, quando não são menores!! Eles ficam nas ruas, não em centros comerciais ou shoppings, e parecem pequenos quando vistos de fora, mas são verdadeiros labirintos quando você entra!

Cinema aqui também é programa de domingo, e o melhor é que os verdadeiros fãs da sétima arte podem fazer planos mensais ou anuais que dão direito a idas ilimitadas ao cinema! Bom né?! Só não faço um desses porque sei que aí não estudo, iria querer assistir filmes todos os dias!

Pathé Nice Massena :)

4 de novembro de 2010

Lumière

    Não sei se vocês se lembram do personagem Lumière, um castiçal, no filme “A Bela e a Fera”. Para quem não sabe, “lumière” significa luz em francês. Mas tá, Isso foi apenas uma petite curiosidade para abrir o post de hoje! Hehehe



    Meu dia começou às 6:15 da manhã, após uma noite super mal dormida por conta da ansiedade em relação à prova de hoje. Aula chata de manhã, almoço ao sol com as meninas e chegou a hora da prova. Estudei muito e me sentia relativamente preparada (nunca me sinto 100% preparada!), mas eis que a prova foi dificílima e, após duas horas quebrando a cabeça, tudo que eu queria era ir para casa descansar. Ainda tive que encarar mais 3 horas de aula e somente às 18 horas a merecida liberdade foi nos concedida.

    Ao descer do tram e chegando à minha rua, percebo que está tudo meio escuro, mas pensei, “derrr, é porque está escurecendo e os postes ainda não devem estar ligados”. Continuo andando e vejo pessoas fora dos prédios, um movimento meio esquisito. Logo percebi que estava faltando luz no quarteirão inteiro, não só na minha rua. Maravilha.

    Subi seis andares de escada e abri a porta de casa dando graças a Deus por ter vela e fósforos à mão. Cuidei de iluminar o ambiente e pensei, “e agora, o que vou fazer?”. Os planos antes do imprevisto eram tomar banho, comer, assistir um episódio de algum seriado para dar uma relaxada e estudar para a prova de amanhã antes de dormir. Dei jeito nos primeiros itens do plano, lanchei literalmente “à luz de velas” e tomei um banho. Depois pensei, “preciso colocar que estou sem luz no meu status do Facebook”. Hahahaha não reparem o vício! Mas, de novo, peeeeennnnn, sem luz não há roteador ligado e, portando, o wi-fi não funciona. Nada de internet já que, além disso, meu cel está com somente 3% de bateria e achei melhor economizar caso precise para uma emergência. Diante das circunstâncias, ainda me restava meu notebook!! Ao menos duas horas de bateria eu sabia que ele tinha, então já dava para estudar para a prova, escrever posts para o blog e até jogar paciência! Kkkkkk

    Mas o que realmente queria escrever aqui (depois de contar tudo isso hehe) é que acho muito engraçado pensar que a humanidade viveu (e sobreviveu!) tantos anos, séculos, sem energia elétrica. E nós, habitantes de um mundo que hoje é “ligado na tomada”, parecemos não conseguir ficar sem luz nem sequer por uma hora. Parece que não nos resta o que fazer!! Mas, na minha opinião, deveríamos encarar situações inusitadas como essa como uma oportunidade, um privilégio!! Qual foi a última vez que você fez nada? Que simplesmente deitou na cama e olhou para o teto? Que dormiu mais cedo que o de costume? De vez em quando é bom, faça o teste!!


   Olhei pela janela e vi algumas poucas casas com velas acesas. Em uma, uma moça, como eu, comeu sozinha à luz de velas. Em outra, a pessoa parecia tentar se orientar com a luz do celular. No meio de tudo isso, lembrei-me de algumas situações que já passei sem luz. A última foi há uns dois anos, eu estava saindo da aula de francês, bati o carro da moms e, quando cheguei em casa, estávamos sem luz. Pude chorar no escuro a tristeza de ter batido o carro e ganhei um colo gostoso antes de dormir. Bem antes disso, quando eu era criança, estava passando férias na casa da minha vó no Rio e, após uma chuva de verão daquelas, ficamos sem luz em casa. Fazia muito calor e lembro como se fosse hoje do meu pai me abanando com uma revista para me refrescar e assim fazer com que eu dormisse.

    Enfim, com ou sem energia elétrica, no Brasil ou na França, às vezes devemos nos desligar um pouco, ficar “sem luz”, para sentirmos um pouco de paz. Assim, podemos curtir o silêncio e a escuridão em um mundo que hoje tem luz e barulho até demais.

A janela iluminada é a da vizinha que também jantou à luz de velas...


PS: Enquanto eu estava no banho, a Madame (forma que uso para me referir à senhora que aluga o estúdio para mim) ligou e deixou um recado na minha secretária eletrônica dizendo que deu uma pane geral nas redondezas e que não tinham previsão de quando a luz voltaria. Ela falou também, “já que você não vai ter como cozinhar, te proponho que venha para minha casa comer conosco”. Para quem não sabe, ela é minha vizinha de baixo e achei super fofo da parte dela me avisar e se preocupar comigo! Será que a solidariedade entre vizinhos existiria aí no Brasil numa situação dessas?

PS2: A luz voltou depois de 3 horas...

1 de novembro de 2010

Nutella

Nutella aqui na França é coisa séria. Para os franceses, a deliciosa pasta de chocolate com amêndoas é tão essencial quanto o requeijão ou a manteiga é para nós brasileiros. Tudo bem que no Brasil esse produto não é novidade e nós também somos fãs, mas aqui se come praticamente tudo com Nutella.

Uma das maravilhas mais famosas que leva Nutella é o crepe. A primeira vez que comi um crepe de Nutella aqui em Nice foi a maior decepção, achei pouco recheado e senti saudades do farto crepe do Chez Michou de Brasília. Depois descobri que os melhores lugares para comer o verdadeiro crepe de Nutella não são nos restaurantes, mas sim nas “birosquinhas” que podem ser achadas em cada esquina na maioria das cidades francesas. Aqui em Nice já tenho meu local preferido e como ele é garantia de satisfação, desde seu achado não ousei experimentar outro lugar.

Na minha última ida à Paris com minha amiga Lara, fiz a maior propaganda do crepe, não parava de falar nele um segundo. Como eu já tinha experimentado um muito bom perto da Torre Eiffel, decidimos que no dia desse passeio iríamos enfim saboreá-lo. Na volta de Versailles, resolvemos aproveitar o fim da tarde (até então apenas um pouco nublado, levemente ensolarado) para subir na torre e ver do alto o por do sol da Cidade Luz. Subimos, tudo lindo, até a gente descer e começar o maior pé d’água. Ficamos ilhadas debaixo da torre, tremendo, sem guarda-chuva (que inflacionou de 2 euros para 12 nessa hora), esperando a bendita passar. Depois de uns 15, 20 minutos, ela passou e atravessamos até o Trocadero, de onde são tiradas as melhores fotos da Torre. Tiramos mil fotos, ela ficou iluminada, piscou, enfim, aquela maravilha.

Depois da pequena aventura, finalmente HORA DO CREPE DE NUTELLA!!!  Tinham ao menos umas três birosquinhas onde estávamos e sem ao menos dar uma olhada geral, optamos pela primeira. Pedi dois crepes “au chocolat”, o que já está subentendido que é de Nutella. Ao analisar melhor a barraquinha, percebo que os potes não são de Nutella, mas sim de alguma pasta de chocolate genérica. Ah, não!!! Virei para a Lara e falei, em português, claro, “putz, não acredito que a gente veio justo numa barraquinha onde o crepe é de Nutella falsificada!”. Ficamos rindo e esperando o crepe ficar pronto, isso eu esculhambando, falando que era um absurdo vender coisa daquela qualidade, que o cara devia ao menos ser esperto e colocar os potes de Nutella de verdade na “vitrine”, mesmo que dentro ele usasse uma Nutella falsificada. Continuei falando besteira, rimos até e o crepe ficou pronto. Dou o dinheiro para o cara e eis que ele me responde, em português, “Aqui seu troco”. Nessa hora, olho para a Lara e quase morroooo de vergonha! Pensa, ele estava entendendo tudo que falávamos! Kkkkkkkkk

Bom, espero que com isso ele aprenda a vender um legítimo crepe de Nutella, ora bolas! Afinal, logo ao lado, outra lojinha vendia o crepe de Nutella de verdade por 3 euros, e nós ainda pagamos 3,50! Ô raiva! O crepe não estava lá essas coisas, mas no frio e na fome, valeu a pena! Depois levei a Lara no meu local aqui de Nice e aí sim ela pode provar o verdadeiro e delicioso Crepe de Nutella!




Vista do alto da Torre Eiffel.

A Torre, o Crepe, e Eu =)