18 de fevereiro de 2011

Quanta polidez!

   No geral, o povo francês é um povo bastante educado. Qualquer comunicação começa com um “bonjour” (bom dia), que é indispensável seja para iniciar uma conversa ou ao cruzar com um vizinho/conhecido pela rua. O “bonjour” é o nosso “oi” de forma mais formal, já que o oi aqui (“salut”) só deve ser usados e situações informais ou com pessoas com as quais você possua intimidade. Meu pai, ao passar uma temporada aqui em Nice comigo, percebeu que até os mendigos na rua falam “bonjour” antes mesmo de pedir esmola! Kkkkkkkkkk

    No comércio, existe o que chamo de diálogo da polidez. Ele é mais ou menos assim:
- Bonjour (atendente do caixa: bom dia)
- Bonjour (você: bom dia, entregando a mercadoria que você quer comprar)
- Ça fait 20 euros, s’il vous plait (caixa : são 20 euros, por favor)
Você entrega o dinheiro, ela entrega o troco, nota fiscal, mercadoria, etc.
- Merci beaucoup, madame (caixa: obrigada, senhora)
- Merci à vous (você: obrigada a você)
- De rien (caixa: de nada)
- Au revoir (você: até logo)
- Au revoir, bonne journée (caixa; até logo, tenha um bom dia)
- Merci, pour vous aussi. (você: obrigada, para você também)

    UFA!! Agora você já pode sair da loja! Já no Brasil não é bem assim, né? O “por favor” e “obrigado(a)” são constantemente esquecidos, infelizmente!



       Nos restaurantes também existe certa polidez no diálogo, mas no serviço já nem tanto. Muitas vezes jogam as coisas na mesa, demoram a te atender e, pior, ficam bravos se você não come tudo. Eles consideram um insulto, e é muito comum virem perguntar se a comida não estava boa ou se faltou alguma coisa. Mas às vezes você só não conseguiu comer a quantidade toda, normal! Ao menos aqui não tem 10% e nem somos obrigados a dar gorjeta! Pagamos exatamente o que consumimos, nem mais nem menos!

     Sei que o parisiense tem fama de estúpido, mal humorado e sem paciência. Aqui na França você pode até não saber falar francês, mas principalmente em Paris, é recomendável ao menos abordar as pessoas em francês, dizendo um “bounjour” e depois emendando um “je ne parle pas français” (eu não falo francês) ou “I don’t speak french”. Assim eles vão ver que ao menos você tentou e vão te ajudar com mais boa vontade. Se você esbarrar em alguém, tem que pedir desculpas "pardon" e mesmo que esbarrem em você, aqui você também diz "pardon" para a pessoa! É como se os dois tivessem culpa e devessem se desculpar.

    As pessoas aqui podem ser gentis ao segurar uma porta para você passar, ceder lugar aos velhinhos no ônibus ou ter todo esse diálogo que descrevi acima. Mas, na verdade, a sociedade aqui é individualista e pouco solícita no que diz respeito ao que chamo de relações intermediárias (relações que não são nem íntimas ou familiares e nem de “somos apenas conhecidos"). Já perdi as contas de quantas vezes comentei com um amigo que estava tendo dificuldade com alguma coisa (normalmente algum processo burocrático francês) e nenhuma vez eles se ofereceram para ajudar. Falam tipo “é assim mesmo” e te olham com uma cara de “só lamento por você, mas tenho mais o que fazer”. Isso é só um exemplo e sei que não posso generalizar por conta de uma experiência pessoal, mas a solidariedade presente no povo brasileiro é algo quase impossível de achar aqui pelo velho mundo.

    Brèsil, tu me manques! Brasil, você me faz falta!

7 de fevereiro de 2011

Os 4 C's da França

  Inspirada pelas minhas aulas de marketing, resolvi fazer um post relacionado ao tema. O conceito do mix de marketing, ou dos 4 P's (Produto, Preço, Praça e Promoção), é bastante conhecido e básico, mas hoje falamos também dos 4 C's. Pesquisando sobre os C's do marketing, vi que eles podem chegar a 6, portanto, essa ideia varia muito de autor para autor. Podemos, entretanto, ver que os C's mais comuns são: 
1. Consumidor (as necessidades e os desejos destes);
2. Custo (para satisfazer o consumidor);
3. Conveniência (para comprar); e
4. Comunicação.

   Identifiquei no cotidiano francês 4 C's que dizem muito sobre essa cultura tão particular. Eis então que vos apresento "Os 4 C's da França"!

1. Croissant: O famoso pão em formato de lua é uma paixão nacional. Por, em média, 70 centavos de euro, ele pode ser encontrado em qualquer boulangerie (espécie de padaria). Aqui, ele normalmente é consumido puro e não tem recheio. Para nós é meio estranho, pois estamos acostumados a ver croissants recheados de queijo e presunto e de outras coisas mais. Entretanto, após me habituar a comer como os franceses, pude ver que realmente é uma delícia comê-lo puro, saboreando o gosto meio amenteigado e a textura única dessa maravilha. A baguete é também famosa, e vou incluí-la aqui para demonstrar que os franceses sabem como fazer pães. Sejam brioches, baguetes, croissants, ou pães de chocolate, todos são deliciosos e irresistíveis. Não é à toa que as boulangeries aqui são verdadeiras escolas, onde pessoas do mundo inteiro vem para fazer estágios e aprender como panificar essas gostosuras. Ah, detalhe que na Itália croissant se chama corneto!! hahaha achei o máximo, igual ao sorvete aí do Brasil!

Croissants


2. Camembert: Uso o camembert para exemplificar a parte de queijos. Todo francês que se preze não deixa faltar na sua mesa uma baguete, um vinho, e um queijo. O camembert é um queijo francês bastante consumido aqui e também pode ser achado por preço de banana. Eu, pessoalmente, não sou muito fã, acho meio molengo. Além do camembert, outros queijos franceses famosos são o roquefort, brie, e de chèvre, que é de leite de cabra. Esse último eu sou fã!

Camembert


3. Cachorro: Cachorro aqui é gente. Simples assim. Não estranhe se em uma viagem à França você encontrar cachorros em supermercados, restaurantes, bancos, etc. Aqui eles são bem vindos em qualquer lugar público, quase que sem restrições. As madames velhinhas adoram andar com eles a tiracolo. O engraçado é que, ao menos aqui em Nice, quase não existem pet shops! Uma amiga me falou que uma ida básica da sua cadela ao veterinário custa em média 90 euros. Isso é bem mais que um corte de cabelo num salão chique daqui! Outra curiosidade é que tem uma loja perto da minha casa onde os filhotes de cachorro ficam na vitrine para serem vendidos! Dá até peninha, sério! Mas acho que ninguém vê maldade nisso, não... Enfim, nos meus muitos meses vivendo aqui, posso dizer que a maioria das pessoas tratam seus cães melhor do que seus amigos ou familiares (se bem que eles são parte da família, né?).

Cachorrinhos na vitrine


4. Cigarro: Coisa nojenta! Mesmo sendo proibido fumar em locais fechados, basta uma andadinha na rua para voltar para casa fedendo a cigarro. O número de fumantes é alto, e vai de jovens à idosos. Já vi pessoas que estavam fumando e, ao resolver entrar numa loja, deixaram o cigarro aceso do lado de fora, tipo numa beirinha qualquer, para ele não apagar e a pessoa continuar fumando ao sair da loja. Para mim isso é um absurdo, inacreditável. Outra coisa: é comum demais você estar andando na rua e alguém te pedir um cigarro. Pedem mesmo, na cara dura, mas normalmente são pessoas estranhas que fazem isso! kkkkkkkk

Cigarro na beirada


    Espero que tenham gostado e desejo a todos uma ótimo semana! =)