No geral, o povo francês é um povo bastante educado. Qualquer comunicação começa com um “bonjour” (bom dia), que é indispensável seja para iniciar uma conversa ou ao cruzar com um vizinho/conhecido pela rua. O “bonjour” é o nosso “oi” de forma mais formal, já que o oi aqui (“salut”) só deve ser usados e situações informais ou com pessoas com as quais você possua intimidade. Meu pai, ao passar uma temporada aqui em Nice comigo, percebeu que até os mendigos na rua falam “bonjour” antes mesmo de pedir esmola! Kkkkkkkkkk
No comércio, existe o que chamo de diálogo da polidez. Ele é mais ou menos assim:
- Bonjour (atendente do caixa: bom dia)
- Bonjour (você: bom dia, entregando a mercadoria que você quer comprar)
- Ça fait 20 euros, s’il vous plait (caixa : são 20 euros, por favor)
Você entrega o dinheiro, ela entrega o troco, nota fiscal, mercadoria, etc.
- Merci beaucoup, madame (caixa: obrigada, senhora)
- Merci à vous (você: obrigada a você)
- De rien (caixa: de nada)
- Au revoir (você: até logo)
- Au revoir, bonne journée (caixa; até logo, tenha um bom dia)
- Merci, pour vous aussi. (você: obrigada, para você também)
UFA!! Agora você já pode sair da loja! Já no Brasil não é bem assim, né? O “por favor” e “obrigado(a)” são constantemente esquecidos, infelizmente!
Nos restaurantes também existe certa polidez no diálogo, mas no serviço já nem tanto. Muitas vezes jogam as coisas na mesa, demoram a te atender e, pior, ficam bravos se você não come tudo. Eles consideram um insulto, e é muito comum virem perguntar se a comida não estava boa ou se faltou alguma coisa. Mas às vezes você só não conseguiu comer a quantidade toda, normal! Ao menos aqui não tem 10% e nem somos obrigados a dar gorjeta! Pagamos exatamente o que consumimos, nem mais nem menos!
Sei que o parisiense tem fama de estúpido, mal humorado e sem paciência. Aqui na França você pode até não saber falar francês, mas principalmente em Paris, é recomendável ao menos abordar as pessoas em francês, dizendo um “bounjour” e depois emendando um “je ne parle pas français” (eu não falo francês) ou “I don’t speak french”. Assim eles vão ver que ao menos você tentou e vão te ajudar com mais boa vontade. Se você esbarrar em alguém, tem que pedir desculpas "pardon" e mesmo que esbarrem em você, aqui você também diz "pardon" para a pessoa! É como se os dois tivessem culpa e devessem se desculpar.
As pessoas aqui podem ser gentis ao segurar uma porta para você passar, ceder lugar aos velhinhos no ônibus ou ter todo esse diálogo que descrevi acima. Mas, na verdade, a sociedade aqui é individualista e pouco solícita no que diz respeito ao que chamo de relações intermediárias (relações que não são nem íntimas ou familiares e nem de “somos apenas conhecidos"). Já perdi as contas de quantas vezes comentei com um amigo que estava tendo dificuldade com alguma coisa (normalmente algum processo burocrático francês) e nenhuma vez eles se ofereceram para ajudar. Falam tipo “é assim mesmo” e te olham com uma cara de “só lamento por você, mas tenho mais o que fazer”. Isso é só um exemplo e sei que não posso generalizar por conta de uma experiência pessoal, mas a solidariedade presente no povo brasileiro é algo quase impossível de achar aqui pelo velho mundo.
Brèsil, tu me manques! Brasil, você me faz falta!


