22 de março de 2012

Lá ou Cá?

Faltando exatamente um mês para completar um ano da minha volta ao Brasil, me dei conta de coisas das quais ainda não tinha me tocado.

Na última semana, coincidentemente, encontrei algumas pessoas que me fizeram uma mesma pergunta. Foram pessoas diferentes e em ambientes distintos, entretanto, a pergunta foi igual: “Dani, você prefere a vida aqui ou na França?” Já haviam me perguntado se eu sentia falta de Nice, e a resposta de sempre era “sinto demais, todos os dias”. A partir daí, outras perguntas surgiam, como “Do que exatamente você sente falta?” ou “Você tem vontade de voltar?”. Contudo, acho que nunca haviam me perguntado quais das vidas eu preferia.

Nice foi uma fase importante, essencial para eu tornar quem me tornei. Aprendi muito, vivi momentos únicos e conheci pessoas incríveis. Mas... ACABOU. A ficha caiu faz tempo, mas hoje sim posso dizer que amadureci esse fato e até mesmo a saudade relacionada a ele. Minha experiência foi incrível e, como tudo na vida, teve seus prós e contras. Sinto falta da praticidade com que eu fazia as coisas (sem contar com a burocracia francesa para assuntos de banco, faculdade etc.), de encontrar meus amigos na rua por acaso, de poder viajar por um preço baixíssimo, de poder comprar certos produtos de qualidade com 5 euros, do frio, enfim, a lista poderia continuar. Por outro lado, a vida lá não incluía minha família nem meus amigos de verdade. Eu morava sozinha, não tinha para quem dar “bom dia” nem “boa noite”, e a solidão apertou em muitas horas. Meus amigos lá não sabiam da minha história, não conheciam meus pais, nunca tinham vindo ao meu país. A Danielle, para eles, era apenas uma brasileira corajosa que tinha ido sozinha para a França, com objetivo de estudar e viajar.

A vida aqui tem suas dificuldades também. Essas eu prefiro não listar para não parecer pedante, fora que minha opinião pode acabar sendo mal-interpretada. De toda forma, as vantagens daqui são inúmeras. Estar perto de pessoas queridas e amadas faz com que qualquer problema pareça bobo, ridículo. Aqui as pessoas se ajudam mais, se importam mais, criam laços com mais facilidade. O calor humano do brasileiro não tem igual. Aqui eu vivo uma vida mais parecida com o que é minha realidade. Trabalho, saio com os amigos, namoro, almoço com a família toda reunida. A vida em Nice era um sonho, algo que sempre tive consciência que teria dia certo para começar e terminar. A vida no Brasil é realidade, onde eu preciso correr atrás e suar a camisa para conseguir o que quero.

Realizar esse sonho foi uma das melhores coisas que me aconteceram, mas não tenho como comparar a vida daqui com a vida de lá. Seria injusto. O importante é que tirei proveito da oportunidade que tive e que sou feliz por estar de volta ao meu verdadeiro lar. Aos poucos, tudo vai se ajeitando, se encaixando. Procuro ver a vida com amor e intensidade para que ela possa ser vivida plenamente, onde quer que eu esteja.

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